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DESPEDIDA:

GRATIDÃO E MISSÃO

 

Sr. CónegoIMG 7359 800x600

 Saúdo-vos a todos, a cada um em particular, com todo o afeto e no amor de Jesus Cristo! Foi esta a primeira saudação que vos dirigi quando aqui cheguei há dez anos. É esta mesma saudação que vos dirijo neste momento de despedida.

 Neste momento, desejo confessar todo o meu amor por Jesus. Ao iniciar o meu ministério no meio de vós e para vós sinto ressoar em mim as palavras que escolhi, há precisamente 25 anos, em 1992, como lema para a minha vida sacerdotal: “Para mim, viver é Cristo”. Que o Senhor me dê um coração penitente, sincero, generoso e sempre pronto para conhecer, amar e servir.

Esta é a questão fundamental que Jesus me coloca a mim e a cada homem e mulher, de qualquer idade ou condição: “Sabes amar? Amas-me? És verdadeiramente meu amigo?” Não há fé sem amor. E, no final, seremos julgados pelo amor, como diz S. João da Cruz.

Nesta perspetiva do amor, a Igreja é chamada a ler os sinais dos tempos e a apresentar sinais de esperança. Os cristãos, hoje, precisam de mais adrenalina, porque já basta de naftalina para conservar o antigo, e precisam de eleger causas e processos pastorais para intervir mais, seja no anúncio da mensagem do amor e perdão, seja na denúncia profética das situações.

A Igreja é chamada, hoje, na sua missão, a recomeçar a partir de Cristo, do Seu Evangelho, da pessoa humana e da sua dignidade e liberdade, tal como fizeram os primeiros cristãos. Da contemplação de Cristo Senhor e Salvador, que é tudo para nós, surgem os traços de uma Igreja que há - de refletir o Seu rosto: uma Igreja que vive sob o primado da Graça e da santidade, que se renova e retempera constantemente nas fontes da Palavra que salva e da Eucaristia; uma Igreja que testemunha com entusiasmo e sem complexos de inferioridade o Evangelho de Cristo; uma Igreja casa e escola de comunhão, casa do encontro com Deus e com os homens, que acolhe igualmente jovens e idosos, que educa todos os seus filhos na fé e na caridade; uma Igreja humilde de coração, rica de misericórdia, em que só Deus tem a primazia; uma Igreja que ama o mundo do nosso tempo com as alegrias e também com as suas crises e misérias; uma Igreja que com a luz da fé, o dinamismo da esperança e o calor da caridade oferece ao mundo aquele ”suplemento de alma” que se torna fonte de nova cultura social e de cidadania responsável, de promoção da dignidade e dos direitos fundamentais da pessoa, de diálogo com a cultura e a ciência, através da presença de leigos qualificados nos vários ambientes e de instituições apropriadas; uma Igreja próxima do caminho árduo e difícil das gentes de hoje, dos sofrimentos quase insuportáveis de muitos e desejosa de levar a todos a consolação, a alegria e a paz do Evangelho; uma Igreja que aprende a usar a linguagem da alegria como porta de acesso ao mistério de Deus e ao mistério da interioridade do homem e promotora de uma nova sociedade, enraizada no amor.

Este momento é de louvor e ação de graças por tudo o que Deus realizou neste caminho comum durante estes dez anos. Agradeço a vossa amizade que muito me alegra e conforta.

Quero agradecer ao Senhor Jesus estes 10 anos de vida entre vós. Parto com muita paz e serenidade no meu coração. Parto com a consciência que me fiz um convosco. Parto com a sabedoria que me destes. Acolhei de coração aberto o vosso novo Pároco. Ajudai-o. Rezai por ele.

Todas as minhas recordações são belíssimas: pela abertura de coração, pelo acolhimento, pela colaboração generosa, pelo conforto da fé e da amizade de todos que me acompanharam e ajudaram a ser padre com alguns admiráveis exemplos de generosidade, de entrega, de virtudes cristãs, de autêntica santidade popular; pelos meus colaboradores mais próximos (pessoas concretas com rosto e nome e órgãos de corresponsabilidade) pela dedicação e competência e pelo espírito eclesial com que colaboraram no caminho da paróquia; pelos servidores da causa e do bem público, nas várias áreas da vida governativa, administrativa, cultural, social, e também militar… pela estima recíproca e pela colaboração leal e generosa que neles encontrei, sempre desejosa do bem comum.

Sou um homem, uma criatura humana limitada, frágil, com limitações e defeitos, que também se confessa pecador. Pelas minhas faltas, omissões e negligências, peço perdão a Deus e peço perdão a todos vós.

Quero exprimir a confiança na graça e no futuro de Deus para esta paróquia de Mangualde, com as palavras de S. Paulo ao despedir-se da comunidade de Mileto: “Confio-vos todos ao Senhor e à Palavra da Sua graça” que tem o poder de salvar, de fazer maravilhas, de edificar a Igreja. Não tenhais medo! Tende confiança! Tende sempre um sentido nobre, grande e belo da vossa fé!

E como despedida última, não encontrei palavras mais próprias e belas que as de S. Paulo na carta aos Filipenses:

“Todas as vezes que me lembro de vós, dou graças a Deus, sempre, em toda a minha oração por vós. É uma oração que faço com alegria, por causa da vossa participação no anúncio do Evangelho, desde o primeiro dia, até agora. É exactamente nisto que ponho a minha confiança: Aquele que em vós deu início a uma obra excelente há-de levá-la à perfeição, até ao dia de Cristo Jesus.

É justo que eu tenha estes sentimentos por vós, pois tenho-vos no coração. Sim, Deus é minha testemunha do quanto vos quero bem a todos com a afeição de Jesus Cristo.

E é por isto que eu rezo: para que o vosso amor aumente ainda e cada vez mais em sabedoria e em verdadeira sensibilidade para discernir o que melhor convém” (Fil 1,3-10). Eu levo-vos a todos no meu coração! Continuaremos unidos, apesar da distância. Mas a amizade vence as distâncias!

À intercessão de Nossa Senhora do Castelo e de São Julião, nosso Padroeiro, confio o presente e o futuro da Comunidade Paroquial de Mangualde.

Que Deus vos abençoe! Muito Obrigado por tudo! Será sempre com muita alegria que me recordarei de vós. Bendito seja Deus!

 

Pe. Jorge Seixas