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Quaresma: ouvir para ver melhor…

 

“A fé – diz-nos S. Paulo – vem da audição e a audição é pela palavra de Cristo” (Rom. 10, 17). A Liturgia cristã, tal como a História da Salvação, parte da iniciativa de Deus que se revela, chama, promete, convoca, faz aliança e envia. “Neste dias que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Seu Filho” (Heb. 1, 2). Nas celebrações litúrgicas, Cristo está sempre presente à Igreja, nomeadamente na Sua Palavra. “Com efeito, é Ele que fala quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura” (SC. 7). Compreende-se, assim, o primado da “palavra” na Liturgia.

 

Porém, o Verbo fez-se carne e deu-nos a contemplar Aquele a Quem ninguém jamais viu. O Corpo do Verbo incarnado, imagem visível do Deus invisível (Col. 1, 15; cf. Heb. 1, 3), é o tabernáculo definitivo da divina presença em todas as nossas caminhadas. E é este o princípio e o fundamento perene de toda a Liturgia. É Cristo – e não um discurso – a Palavra que é prioritária no culto cristão... Daí a necessidade de a Pastoral Litúrgica manter o equilíbrio entre o pólo auditivo e o pólo visual da celebração.
Se há período do ano litúrgico em que o ouvir deva ter precedência sobre o ver, esse é, sem dúvida, o tempo Quaresma. Com efeito nele se simboliza o tempo presente em que peregrinamos a caminho da terra prometida e a aventura da fé que aspira à visão. Lá virá o tempo pascal, imagem antecipada da eternidade feliz, saboreada na alegria do encontro sacramental com o Ressuscitado que se “faz ver” aos seus. Agora é o ouvir que goza de precedência.
A Pedro, que se queria instalar na visão do Transfigurado, a Nuvem do Tabor recomendará a audição: “Escutai-O”. Na verdade, o pão de que carecemos para enfrentar com êxito as tentações que abundam no nosso êxodo a caminho da renovação pascal é, precisamente, “toda a Palavra que vem da boca de Deus”.
Compreendemos então melhor a importância – relativa mas não indiferente – de pequenos sinais que, coerentemente convergem na mesma direcção. Entre eles refira-se a clara renúncia da Liturgia da Quaresma às ornamentações festivas: durante seis domingos – com alguma condescendência no quarto – desaparecem as flores, os paramentos são roxos e as iluminações serão discretas. Não é apenas a busca do efeito estético e dramático dos contrastes que reciprocamente se potenciam quando se respeitam. A eficácia expressiva dos elementos festivos do tempo pascal é multiplicada pela renúncia da Quaresma ou subtraída pela sua dissipação. Também isso é tido em conta por esta sapiente pedagogia dos sentidos com que a Mãe Igreja nos quer conduzir até ao fundo e ao centro do mistério. Trata-se, sobretudo, de ajudar os cristãos a viver a verdade de cada tempo. Chegava-se mesmo ao ponto de tapar as cruzes e imagens da Igreja a partir do 5º Domingo, uso que legitima e pedagogicamente se pode manter. Porque este é o tempo de ouvir e guardar no coração, evitando toda a espécie de ruído sonoro ou visual. E de recuperar ou ampliar, no vazio das imagens, a capacidade de ver e contemplar com profundidade e perspicácia.
Mesmo neste ouvir o mais importante é a Palavra: ela converte, ilumina, conduz. No universo dos sons que povoam a celebração litúrgica, ela agora não tem alternativa. E por isso a música instrumental remete-se ao silêncio ou reduz-se à nobre função de acompanhamento e apoio da palavra cantada.
Então: “Escutemos a voz que chama o Povo para sair do Egipto do pecado; E, seguindo o caminho do deserto, acolhamos, humildes, a palavra”.