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Bento XVI na Terra Santa

 

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Bento XVI iniciou sexta-feira, 8 de Maio, a sua primeira visita à Terra Santa, num percurso que inclui, até ao dia 15, a Jordânia, Israel e os Territórios Palestinianos. Esta será a 12ª viagem internacional do actual Papa, eleito em Abril de 2005, e a mais importante até ao momento. Os oito dias de viagem são marcados por uma agenda invulgarmente preenchida. O Papa, que completou recentemente 82 anos de idade, proferirá quase 30 discursos, saudações e homilias, ao longo dos vários encontros com fiéis, líderes religiosos e autoridades políticas da região. O Vaticano tem insistido na ideia de que o Papa viaja como “peregrino”, com o objectivo de confirmar os cristãos na fé, para falar de paz numa terra devastada há longas décadas por conflitos e continuar no caminho do ecumenismo e do diálogo entre as três grandes religiões monoteístas. O Missal para as celebrações pontifícias tem como título “Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”, citação do Evangelho segundo São Mateus. Vários são os momentos em que os fiéis são convidados a rezar pela paz, o diálogo e a justiça no Médio Oriente. Após as recentes polémicas sobre o Holocausto e dos danos provocados pela ofensiva israelita em Gaza, Bento XVI tem pela frente um teste importante ao tornar-se o terceiro Papa dos tempos modernos a visitar a Terra Santa, depois de Paulo VI (1964) e João Paulo II (2000).

 

 

 
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O MÊS DE MARIA

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O Directório sobre a piedade popular e a Liturgia, publicado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em 17 de Dezembro de 2001 (editado em português pelas Edições Paulinas e pelo Apostolado da Oração), dedica o seu Capítulo V à veneração para com a Bem-aventurada Virgem Maria (nn. 183-207). Mas já no capítulo precedente, dedicado à relação entre a religiosidade popular e o ano litúrgico as expressões de veneração mariana tiveram tratamento privilegiado sendo de destacar, no tempo pascal, “o encontro do Ressuscitado com a Mãe (n. 149) e “a saudação pascal à Mãe do Ressuscitado” (n. 151).

“A piedade popular à Bem-aventurada Virgem, variada nas suas expressões e profunda nas suas motivações, é um facto eclesial relevante e universal. Dimana da fé e do amor do povo de Deus a Cristo, Redentor do género humano e da percepção da missão salvífica que Deus confiou a Maria de Nazaré, pelo que a Virgem não é só a Mãe do Senhor e do Salvador, mas também, no plano da graça, a Mãe de todos os homens. De facto, “os fiéis compreendem facilmente o vínculo vital que une o Filho à Mãe. Sabem que o Filho é Deus e que Ela, a Mãe dele, é também sua mãe. Intuem a santidade imaculada da Virgem e, embora a venerem como rainha gloriosa no céu, estão contudo seguros de que ela, cheia de misericórdia, intercede a seu favor e, portanto, imploram com confiança o seu patrocínio. Os mais pobres sentem-na particularmente próxima de si. Sabem que ela foi pobre como eles, que sofreu muito, que foi paciente e mansa. Sentem compaixão pela sua dor na crucifixão e morte do Filho, e alegram-se com ela pela ressurreição de Jesus. Celebram com alegria as suas festas. Participam de bom grado nas procissões, vão em peregrinação aos santuários, gostam de cantar em sua honra e oferecem-lhe dons votivos. Não toleram que alguém a ofenda e instintivamente desconfiam de quem não a honra”” (n. 183).

“Relativamente à piedade mariana do povo de Deus, a Liturgia deve mostrar-se como “forma exemplar”, fonte de inspiração, constante ponto de referência e meta última” (n. 184).

“A directriz fundamental do Magistério em relação aos exercícios de piedade é que eles se possam reconduzir à “confluência do único culto que tem realmente direito a chamar-se cristão porque só de Cristo recebe a sua eficácia, em Cristo se exprime totalmente e, por meio de Cristo no Espírito, conduz ao Pai” (Paulo VI, Marialis cultus, intr.). Isto significa que os exercícios de piedade mariana - embora nem todos do mesmo modo e na mesma medida - devem:

- exprimir a nota trinitária que distingue e qualifica o culto ao Deus da revelação neotestamentária, ao Pai, ao Filho e ao Espírito; a componente cristológica, que evidencia a única e necessária mediação de Cristo; a dimensão pneumatológica, já que todas as expressões genuínas de piedade provêm do Espírito e nele se realizam; o carácter eclesial, pelo qual os baptizados, constituindo o povo santo de Deus, oram reunidos em nome do Senhor (cf. Mt 18, 20) e no espaço vital da Comunhão dos Santos;

- recorrer constantemente à Escritura divina, entendida no quadro da sagrada Tradição; não descurar, mesmo que professando totalmente a fé da Igreja, as exigências do movimento ecuménico; considerar os aspectos antropológicos das expressões cultuais, de maneira que reflictam uma válida concepção do homem e correspondam às suas exigências; evidenciar a tensão escatológica, essencial à mensagem evangélica; explicitar o empenhamento missionário e o dever de testemunho, que competem aos discípulos do Senhor” (n. 186).

Entre os “tempos dos exercícios de piedade mariana”, o Directório menciona os “meses marianos” (nn. 190-191). O Directório recomenda a articulação do mês de Maria, em Maio, com o tempo pascal: “os exercícios de piedade deverão evidenciar a participação da Virgem no mistério pascal (cf. Jo 19, 25-27) e no evento pentecostal (cf. Act 1, 14) que inaugura a caminhada da Igreja; uma caminhada que ela, tornada participante da novidade do Ressuscitado, percorre guiada pelo Espírito. E, porque os “cinquenta dias” são o tempo próprio para a celebração e a mistagogia dos sacramentos da iniciação cristã, os exercícios de piedade do mês de Maio poderão utilmente dar relevo à função que a Virgem, glorificada no céu, desempenha na terra, “aqui e agora”, na celebração dos sacramentos do Baptismo, da confirmação e da Eucaristia”. Segundo a directiva da Constituição Sacrosanctum Concilium, importa que “o ânimo dos fiéis se dirija antes de mais para as festas do Senhor, nas quais, durante o ano, se celebram os mistérios da salvação” (SC 108), aos quais, por certo, está associada a Bem-aventurada Virgem Maria. E nada deve ofuscar a primazia a dar ao Domingo, memória hebdomadária da Páscoa, “o dia de festa primordial”” (n. 191).

 
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O Trabalho e o Desemprego

 

Numa altura em que muitos sentem na pele a instabilidade da crise financeira e económica, não poderia deixar de abordar a relação da pessoa humana com o trabalho, não apenas como meio de subsistência, mas também como realização da própria pessoa.

Em tempos de crise é preciso não perder de vista a hierarquia de valores, de modo a não se deixar absorver pelo imediato e esquecer ou negligenciar o que é mais importante. Com certeza que ninguém duvida que a pessoa humana, a sua dignidade está acima das realidades económicas e financeiras. Estas devem estar orientadas para o bem da pessoa e da sociedade, do bem comum. Por isso não é racional nem justo colocar a solidez financeira ou económica acima do bem das pessoas, e muito menos quando essa solidez apenas diz respeito a alguma elite social.

 

 

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Canonização de Nuno Álvares é uma Festa para Portugal

 

 

À primeira vista há quem manifeste perplexidade. Porquê falar de Nuno Álvares Pereira em pleno século XXI, e ainda por cima como referência religiosa? Porquê homenageá-lo como referência cristã?

A dúvida tem, no entanto, muito menos a ver com a personagem histórica e com o seu significado, do que com a sua escolha em diversos momentos (cuja recordação está viva) em nome de uma relação equívoca entre o Estado e a Igreja ou de uma relação na qual havia quem desejasse que as fronteiras não fossem nítidas – como em tempos da pré-história da liberdade religiosa, distantes de uma laicidade serena e criadora.

É, pois, tempo de olhar a figura, em si, para além de equívocos e de aproveitamentos. Não há, assim, razão para associá-la a um nacionalismo desajustado dos sinais dos tempos de hoje, nem para a ligar a um patriotismo fechado e retrógrado, que Nuno Álvares Pereira nunca assumiu. É que aquilo que muitas vezes vem à memória não é a memória autêntica do herói e do santo, mas são as referências mais recentes de um tempo em que o Condestável foi usado como bandeira de causas de isolamento e de auto-comprazimento nacional…

 

 

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“A Ceia desenvolve-se, no contexto desta «entrega», que é, ao mesmo tempo, passiva ou sofrida por Jesus, e activa e assumida livremente por Ele. O Pão e o vinho, sobre a mesa, que antecipam o gesto supremo da sua vida entregue, do Seu corpo dado e do Seu sangue derramado, mostram que é Jesus, Ele mesmo, que livremente se entrega agora por nós! Vistas bem as coisas, naquela noite, Jesus ocupa todo o cenário. É actor único, que actua e fala realmente; é ele o significado de tudo o diz e acontece. Ele é o Pão e o vinho. Ele é a história viva que aqueles símbolos narram. Ele é o dom. Ele é a memória. A Eucaristia torna-se assim a celebração da Páscoa do Senhor, o memorial dessa maravilha, a maior entre todas as maravilhas de Deus: o dom de Seu Filho, pelo Qual a morte é vencida e transformada em Vida. Por consequência, o Corpo e o Sangue de Cristo, são-nos dados, para que também nós mesmos sejamos transformados. “Com efeito, - diz o Papa - não é o alimento eucarístico, que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por Ele” (Sac. Carit.70)”.

 

“E, neste dia do sacerdócio, rezai por mim, para que me entregue a Vós com o amor de Cristo e assim vos dê o exemplo, «para que assim como Eu fiz, vós façais também» (Jo.13,15)”. (Extractos da homilia de quinta-feira santa)

 

 

O Crucificado é sabedoria e poder de Deus, porque manifesta verdadeiramente quem é Deus, ou seja, o poder inerme do seu amor, que vai até à Cruz, para salvar o homem. Pois bem, “a séculos de distância, nós vemos que, na história do mundo, venceu a Cruz e não a sabedoria, que se opõe à Cruz. Deus serve-se de modos e instrumentos que, à primeira vista, nos parecem tão débeis e frágeis. E isso diz-nos, com toda a clareza e beleza, que podemos encontrar a nossa força, precisamente na humildade do amor. Podemos encontrar a sabedoria, naquele amor, que nos torna frágeis, naquele amor, capaz de renunciar a si mesmo, para nos fazer entrar assim na força de Deus (Bento XVI), fiados na sua graça”. (Extracto da homilia de sexta-feira Santa)

 

“Na sua ressurreição, Jesus, com a radicalidade do seu Amor, no qual se tocaram o coração de Deus e o coração do homem, tomou verdadeiramente a Luz do céu e trouxe-a à terra – trouxe a luz da verdade e o fogo do amor, que transformam o ser do homem. Porque somos baptizados, o fogo desta luz desceu ao nosso íntimo, a luz de Deus entrou em nós e assim nos tornámos filhos da luz! O Senhor deu-nos a luz da verdade. Esta luz é ao mesmo tempo também fogo, força que nos vem de Deus: uma força que não destrói, antes quer transformar os nossos corações, para nos tornar verdadeiramente artífices de uma nova criação!” “Protejamos esta Luz, contra todas as forças e ventos, que pretendem extingui-La, tentando lançar-nos, de novo, na escuridão de um mundo sem Deus, ou de uma vida sem alma, ou de uma alma sem vida.” (Extracto da homilia da Vigília Pascal)

 

“A Páscoa é passagem. Passagem dos hebreus da escravidão do Egipto à liberdade da terra prometida. Passagem de Cristo da morte na cruz à luz da ressurreição. Passagem dos cristãos, que acreditam e vivem a ressurreição do Senhor, das trevas à luz, do desânimo à esperança, do individualismo à comunidade. Pela sua entrega na cruz e pela sua ressurreição, Cristo venceu a força da maldade e da mentira, do pecado e da morte e promete aos discípulos a vitória do amor e da alegria.”

Como estamos necessitados desta Boa Nova, como ansiamos por acreditar e saborear este anúncio jubiloso! As trevas que caíram sobre a terra, na Paixão do Senhor, ainda não se dissiparam. Continuam a escurecer o horizonte de muita gente. A cruz, levantada no Calvário, continua a dominar fortemente a vida da humanidade. Sentimos sobre nós o peso do sofrimento, o escândalo da injustiça, a força da mentira, o medo da crise, a ameaça da violência, a angústia da doença. Quem nos poderá livrar da realidade dolorosa da cruz e do poder da maldade e da morte?

“Em tempos de tantos problemas, ergamos os olhos para Jesus Ressuscitado e agradeçamos-lhe tanto amor por nós e procuremos segui-lo, porque Ele é o que tem palavras de vida eterna. Que a paz e a alegria encham os vossos corações, irmãos caríssimos, e os de todos os vossos familiares e amigos. Que a Páscoa destrua os pesadelos e as miragens que a noite dos nossos medos traz, por vezes, às nossas vidas. Que a vitória do Senhor da Vida sobre a morte dê sentido às nossas vidas. Por isso, proclamemos sem medo: Cristo Ressuscitou, Aleluia, Aleluia.” (Extracto da homilia de Domingo de Páscoa)

 
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