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Entrevista
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Jornal - Entrevista

Entrevista com o Diácono Manuel Vaz

 

“...já não sou capaz de olhar para os outros sem reconhecer

em cada um deles um irmão em Cristo”

 

N.B. - No passado dia 22 de julho foi ordenando diácono permanente, na Sé Catedral em Viseu. Qual o significado que teve para si a concretização desse momento?

Manuel Vaz - Terei que identificar este significado primeiro num contexto pessoal, em que senti uma alegria indescritível quando recebi o Sacramento da Ordem das mãos do Reverendíssimo Bispo de Viseu D. Ilídio Leandro.

Na realidade foi como o concretizar de um sonho, sonho esse que tem como base principal o meu amor por Deus e mesmo a necessidade que sinto em servir, mas servir quem? Servir a Igreja, esposa de Cristo, servindo os irmãos, colocando-me ao serviço do Evangelho, participando do ministério apostólico, isto é, desse serviço referido à escolha e ao envio dos Doze.

Pelo Sacramento da Ordem sei que fui chamado, consagrado e enviado para testemunhar a fé apostólica da Igreja.

Será minha responsabilidade em comunhão com o Bispo e com o Presbitério trabalhar para a reunião eclesial em vias de realização, pela tripla diaconia da Palavra, da Liturgia e da Caridade.

Pelo que acabei de dizer o ministério do Diaconado que recebi tem acima de tudo uma vertente de serviço, diria mesmo com um grau de responsabilidade muito grande, não que tenha medo de errar pois S. Paulo disse “ não tenhais medo “, mas porque tudo o quem tem implicação direta com o ser humano pode ter sempre mais que uma forma de abordar.

 

N.B. - Como e quando surgiu esta decisão?

M.V. - Esta e outras coisas da fé nunca são programadas nem nunca nos oferecemos para as fazer mas requerem da nossa parte uma atenção muito grande aos sinais que Deus em cada momento nos envia e assim a decisão de receber o primeiro grau do Sacramento da Ordem não foi programado, antes pelo contrário foi acontecendo de uma forma paulatina e ao longo de muitos anos.

Posso contar de uma forma resumida o percurso que me levou até este ponto:

Bem cedo me liguei a alguns movimentos da Paróquia de Mangualde tais como a Catequese, o Renovamento Carismático e o Cursilho de Cristandade e em todos eles eu fui crescendo na fé, fui aprendendo com as crianças e jovens da catequese, com pessoas adultas nos diversos movimentos e de forma muito especial com os Sacerdotes, todos eles responsáveis pelo crescimento do meu amor por Deus por quem me ia sentindo cada vez mais atraído.

Fui convidado pelos dois Sacerdotes de Mangualde para participar num curso de Ministro Extraordinário da Comunhão e, depois disso, comecei, tal como outros, a realizar Celebrações da Palavra nas diversas capelas da nossa Paróquia. Ora um belo dia o saudoso reverendo Padre Lobinho falou-me em eu frequentar uma formação para receber o primeiro grau do Sacramento da Ordem, convite também feito pelo Reverendo Padre Marcelino, à data era Bispo de Viseu o Revº. Bispo D. António Marto.

A esta proposta eu respondi sem hesitação que não aceitaria receber este ministério, foram esgrimidos alguns argumentos mas a minha decisão foi inabalável, e era não.

Pouco tempo depois houve, a nomeação de um novo Bispo para Viseu, e depois, troca de Sacerdotes na Diocese e na Paróquia de Mangualde também e. lamentavelmente, fomos confrontados pelo falecimento do Reverendo Padre Lobinho.

O Reverendo Cónego Seixas chamou-me e, sabendo ou não que eu tinha sido convidado pelos seus antecessores, também ele me lançou o desafio. Disse-lhe que eu não era digno, havia outros que seriam mais merecedores e mais capazes, mas na verdade o meu anterior Não estava a perder a consistência, eu começava a ponderar este desafio já não feito pelos Sacerdotes mas eu começava a considerar que o desafio era feito por Deus.

Foi neste contexto que recebi uma chamada do Ex. Revº. Bispo D. Ilídio Leandro para ter uma conversa comigo. Fui a esse encontro sem qualquer ideia de aceitar, mas os argumentos do nosso Bispo foram fortes, mesmo muito fortes e, não me prometendo uma vida fácil bem pelo contrário, também não aceitou o meu não e em boa verdade eu já não queria dizer não mas, tal como Maria, eu queria dizer SIM.

 

N.B. - Qual foi a reação inicial dos seus familiares?

M.V. - Para os meus familiares, pois bem tenho uma família maravilhosa, esposa, dois filhos, uma nora e uma futura nora, mas somos uma família onde por hábito tudo é conversado sem tabus onde a procura de um consenso é quase obrigatório e sempre mas sempre na procura da felicidade do outro, foi o culminar lógico do meu percurso na Igreja, dos momentos de oração a que eles assistiam, da manifestação diária do meu amor por Deus.

Tenho da parte de todos eles um apoio incondicional e sei que também eles comungam do mesmo amor pelo mesmo Senhor ( Deus ).

 

N.B. - Após esta ordenação, quais as transformações mais relevantes que surgiram na sua vida?

M.V. - Terei que reconhecer que algo mudou em mim, sinto que a família que eu tinha hoje foi substancialmente aumentada, já não sou capaz de olhar para os outros sem reconhecer em cada um deles um irmão em Cristo. Também tenho consciência do meu dever de obediência à Igreja, ao Bispo e ao Presbitério.

 

N.B. - Quais as etapas pelas quais teve que passar para chegar até aqui?

M.V. - O Diaconado foi reanimado na Igreja no Santo Concílio Vaticano II pela documento Lumen Gentium ( 29 ), aprovada em 21 de novembro de 1964 pelo Papa Paulo VI. Foi assim re-instituído como Ministério ordenado e por isso sujeito a um conjunto de regras a que não é nem poderá ser estranha a formação.

Assim, terminei com aproveitamento nos últimos dias de Junho deste ano uma licenciatura em Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Lisboa, foram 44 disciplinas que versaram um conjunto de conhecimentos que passaram por variados temas desde Ética, Sociologia, Teologia. Hermeneutica, Fenomenologia, Cristologia, Direito Canónico e muitos outros.

Foi enriquecedor frequentar estes temas e, se muito aprendi e é verdade que aprendi, também é verdade que é muito o que ainda não sei e eu estarei sempre disponível para a prender com ajuda de Deus e do Seu Santo Espírito.

 

N.B. - Enquanto diácono permanente, quais as funções que pode exercer?

M.V. - Primeiro que tudo não podemos esquecer que um Diácono não é um Sacerdote nem um Padre de segunda. Ao Diácono estão perfeitamente atribuídas as funções descritas no documento Lumen Gentium ( 29 ) e transcritas para o Direito Canónico e que não é mais do que a expressão em lei das decisões do Santo Concílio Vaticano II.

De uma forma simplista, o Diacono está ao serviço do Bispo, e tem na Igreja uma tripla diaconia da Palavra, da Liturgia e da Caridade. Está pois ao serviço do Evangelho, ao serviço do Altar e ao serviço da Pastoral caritativa.

Dizendo estas coisas de uma forma mais prática, não será surpresa que me vejam, além da Celebração da Palavra a presidir a Batizados, Casamentos e Funerais, ministrando estes Sacramentos e ainda a ministrar os Sacramentais.

Aproveito para informar que, por decreto do Exº. e Reverº. Bispo D. Ilídio Leandro já publicado assumirei algumas funções ao nível dos Seminários Maior e Menor, em celebrações da Sé de Viseu, na Fundação do Jornal da Beira, no Concelho Económico da Diocese e no Aciprestado de Mangualde.

Estarei sempre disponível para qualquer serviço que o meu Bispo me solicite ,se ele achar que serei capaz de o realizar.

 

N.B. - O que espera a partir de agora?

M.V. - Na verdade reconheço que tenho alguma ansiedade em relação ao meu futuro como Diácono, mas acredito que, se Deus me escolheu, ELE me capacitará para o servir em cada momento.

Aproveito este momento para propor a leitura da recente Exortação Apostólica “ VERBUN DOMINI “ do Papa Bento XVI, muito esclarecedora do papel do Diaconado na Igreja de hoje, e, já agora e porque também é importante para todos nós Cristãos, procurem ler, também, do Santo Padre Bento XVI, a encíclica “ Caritas in Veritate ” ( Caridade na Verdade ), verdadeiro hino à forma de estar dos Cristão no mundo de hoje, não só na Igreja mas também na sociedade, na política, etc.

Aproveito para deixar aqui um apelo à comunidade de Mangualde, AJUDEM-ME A AJUDAR-VOS .

Que Deus me capacite para servir a Igreja e a comunidade de Católicos.

 

 
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Jornal - Entrevista

Entrevista com ... Pe. Sérgio de Pinho

“Tenho vivido de uma forma alegre, porque tudo é novidade e é o concretizar de um sonho.”

 

Como tem vivido estes dias após a ordenação sacerdotal?

Tenho vivido de uma forma alegre, porque tudo é novidade e é o concretizar de um sonho. Sinto-me realizado, preenchido, e sinto que tenho um objetivo para viver e tenho algo para fazer neste mundo. Não vivo desorientado, tenho objetivos.

 

Como foi presidir à celebração eucarística na sua terra natal?

Foi de uma importância vital, foi mesmo de uma importância fundamental. Como disse na homilia, foi celebrar a eucaristia onde fui batizado, onde fui confirmado, onde recebi pela primeira vez a eucaristia como fiel. Celebrei a eucaristia onde me fiz cristão. Isto para mim foi muito importante porque depois de ter sido lá que senti o chamamento de Deus que me conquistou, lá também disse um pouco do meu sim, pois, apesar de ter sido ordenado em Viseu, foi lá que manifestei perante os meus conterrâneos, aqueles que me viram crescer desde pequeno até aos meus atuais 24 anos e dizer-lhes que estou disponível para servir a Deus no local onde Deus me cativou.

 

Que mensagem deixa aos paroquianos de Mangualde após 9 meses de estágio?

Estes 9 meses de estágio deram para conhecer um pouco da realidade e penso que neste momento a mensagem que eu devo deixar aos paroquianos de Mangualde é uma mensagem de coragem e usando um pouco daquilo que disse na homilia do passado Domingo, todos nós sabemos que estamos em crise de vocações e é neste momento que nós podemos ver a maturidade de uma comunidade. Com a falta de sacerdotes, pede-se mais às pessoas, pede-se mais aos leigos e estes devem estar cientes do seu papel ativo na Igreja. E esta é a mensagem que eu deixo aos paroquianos de Mangualde: que se sintam membros ativos da Igreja para que todos caminhemos para a constituição de uma comunidade mais forte, mais saudável, mais unida, como manifestação da presença de Cristo no Mundo.

 

Que desafios e dificuldades prevê encontrar no futuro, no exercício do sacerdócio?

Quando eu entrei para o seminário com 11 anos não imaginava aquilo que era ser padre, pensava que ser padre era só dizer a missa. Hoje tenho ciente que as grandes dificuldades que vou enfrentar serão: por um lado a quantidade de trabalho, o número de paróquias, o número de pessoas para atender, o número de serviços; por outro lado a falta de recetividade das pessoas neste mundo secularizado. Penso que são os dois grandes problemas, o trabalho agressivo e em grande quantidade e o facto das pessoas muitas vezes não estarem abertas à mensagem do Evangelho, àquilo que nós dizemos.

O grande desafio para mim sempre foi, desde que percebi aquilo que é essencial na vida sacerdotal, apresentar a pessoa de Jesus Cristo de uma forma credível, digna e capaz de que as pessoas a entendam e se sintam cativadas por ela e desta forma tornar Cristo presente na vida das pessoas a quem me sou enviado.

 

Perante a crise atual de vocações sacerdotais e religiosas, que mensagem gostaria de deixar aos jovens?

Aos jovens gostaria de dizer que o mundo nos coloca muitos entraves. Temos muitas coisas que nos puxam, são-nos dadas muitas propostas, mas faço um apelo aos jovens, pois, por aquilo que tenho observado muitas vezes não está presente no coração deles. Apelo para que eles estejam com o espírito aberto, isto é, Deus chama mas muitas vezes nós estamos com o coração fechado e não é escutado e os jovens devem viver com o espírito mais aberto ao chamamento de Deus e cientes de que a felicidade pode estar onde nós menos esperamos.

 

 
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Jornal - Entrevista

Entrevista com o Diácono - Sérgio Miguel Tavares de Pinho

“... o seguimento de Cristo é uma resposta de

amizade a uma pessoa que vive e que nos ama ...”

Notícias da Beira – Como se chama?

Sérgio - O meu nome é Sérgio Miguel Tavares de Pinho, sou natural da paróquia de Junqueira, arciprestado de Oliveira de Frades.

 

N.B.-  Onde está a fazer o estágio?

S.- Estou a fazer estágio na paróquia de Mangualde desde o dia 4 de Outubro, sob a direcção do Pe Jorge Seixas.

 

Qual a sua importância?

S. - O estágio tem uma importância fundamental na vida das pessoas. Depois de alguns anos a estudar, é uma oportunidade de passar para a prática aquilo que até agora era apenas teoria. Com a aproximação da vida activa começamos a perceber alguns problemas mais práticos e que nunca pensamos encontrar e, como estamos acompanhados é mais fácil resolver os problemas e aprender com quem tem mais experiência.

 

N.B.- Como surgiu este chamamento

S.- A minha vocação foi um pouco prematura. Quando desde pequeno se diz algo, é complicado. Mas o grande momento em que senti que era chamado por Cristo foi na minha Primeira Comunhão, e num convite que o meu pároco na altura me fez a mim e aos meus colegas. A minha caminhada foi-se desenvolvendo um pouco por brincadeira até que comecei a ir ao Pré-Seminário e entrei para o Seminário Menor de S. José, em Fornos de Algodres. A partir daí fui percebendo o meu chamamento de uma forma mais profunda, com avanços e recuos, com coisas boas e más, pois é como tudo na vida. Mas mesmo nas dificuldades fui vendo que o Cristo que nos chama não nos desampara.

 

N.B.- O que é seguir Jesus Cristo?

S.- Seguir a Cristo é uma experiência feita por todos os cristãos, mas que cada um sente segundo a sua condição, leigo, consagrado ou ministério ordenado. Em primeiro lugar, o seguimento de Cristo é uma resposta de amizade a uma pessoa que vive e que nos ama. Se respondemos a esse amor, mais não podemos fazer do que tentar imitá-lo em cada situação da nossa vida. Aquilo que tradicionalmente se chama “Sequela Christi”, mais não é que uma resposta de amor, um acto que nos preenche totalmente e por isso nos conduz à felicidade.

 

N.B.- O que é ser ordenado Diácono?

S.- Ser ordenado diácono é o primeiro grande passo neste seguimento a Cristo, nosso Mestre e Guia, como ministro ordenado. Por esta ordenação, o ordenado recebe o Sacramento da Ordem no seu primeiro grau, consagra toda a sua vida a Cristo sob o signo do serviço. Ser diácono é perceber que o amor é na sua essência serviço e que apenas dessa forma nos sentimos realizados, e que o serviço deve ser a matriz da nossa vida. Daqui percebemos que todos os cristãos devem ter um pouco de diáconos, mas a alguns é lhe pedido que façam da sua vida um entrega permanente.

 

N.B.- O que é a vocação?

S.- A vocação é antes de mais um chamamento, sentirmos um apelo interior para algo, mesmo que a razão e as outras pessoas neguem que esse caminho seja uma oportunidade de felicidade. Em segundo lugar, como é um chamamento interior é um caminho de felicidade, de realização pessoal.

 

N.B.- Qual o desafio / futuro da Igreja?

S.- Um grande desafio que a Igreja tem pela frente é a capacidade de tornar as pessoas cristãs, isto é, a capacidade de a comunidade cristã, iluminada por Cristo, ser capaz de proporcionar uma experiência de acolhimento e de contacto pessoal com este Deus que se faz próximo de nós; numa palavra; a capacidade de fazer crescer cristãos convictos, alegres e evangelizadores. Este é um desafio e é o futuro, pois num mundo cada vez mais secularizado, apenas como  cristão convictos da sua fé e profundamente agarrados a Cristo poderemos ser sinal no mundo e realizarmos a nossa missão de filhos de Deus e construtores do Seu Reino.

 
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Jornal - Entrevista

Rotary Clube de Mangualde homenageou  o Dr. Lúcio Albuquerque

 

No dia 28 de outubro o Rotary Clube de Mangualde homenageou o Dr. Lúcio de Albuquerque.

O Notícias da Beira foi conhecer mais de perto este profissional.

 

Notícias da Beira - Que significado tem para si esta homenagem ?

Dr. Lúcio Albuquerque – Para mim tem um sentido de simpatia e ao mesmo tempo de agrado. Sou uma pessoa modesta aquilo que faço e que tenho feito por Mangualde não é para me fazerem homenagens, gosto de colaborar e de ajudar dentro das minhas possibilidades, isto já faz parte do meu do feitio. Em  2003 também me fizeram uma homenagem em Mangualde, o Dr. João Azevedo.

E agora vieram ter comigo os Rotários e achei que ,apesar de já ter sido homenageado em Mangualde, seria deselegante da minha parte não aceitar.

 

N.B.- Fale-nos um pouco de si e do seu trabalho?

Dr. L.A.- Tenho 85 anos, sou natural de Sezures e resido em Mangualde.

Eramos 4 irmãos todos estudamos, eu licenciei-me em farmácia. Fiz os estudos secundários em Viseu, depois fui para Coimbra onde fiz o Bacharelato e no Porto a Licenciatura em Farmácia, ao mesmo tempo trabalhava, os meus pai também tinha algumas dificuldades e foi uma maneira de os aliviar um pouco.

Eu queria tirar o Curso de Medicina, mas um tio meu aconselhou-me ir para a área da farmácia.

Depois de acabar o curso estive um ano a trabalhar em Lisboa na sede do Laboratório Lepetit – Italiano.

Mas como gostava de vir para a província decidi abrir uma farmácia em Mangualde. Passava muitas vezes por Mangualde nas minhas viagens  de estudante e sempre gostei deste lugar e  também tinha aqui alguns amigos.

Em Lisboa, em 1951, meti os documentos no Ministério de Saúde para abrir em Mangualde a farmácia. Em 12 de Abril de 1952 aluguei uma loja e abri então a Farmácia Albuquerque. Na então Vila já existia a Farmácia Feliz e a Farmácia Pereira. Comecei a angariar os meus clientes. Mais tarde casei-me com a minha mulher - Maria Alexandra da Costa  Espinho Petrucci e Albuquerque, também era farmacêutica. Entretanto o Sr. Pereira faleceu, não tinha filhos e os herdeiros venderam a Farmácia e  comprei-a. Ficamos então com a Farmácia Petrucci, que  era a da minha mulher. Hoje  temos uma sociedade com os filhos porque ela, devido a problemas de saúde, está incapacitada .

Tivemos 4 filhos, duas estão ligados à Farmácia,  a Xana e a Margarida que aproveitaram esta  oportunidade.  Tenho um filho  Engº  João Lúcio Albuquerque e a Maria  Cristina que  é Prof. Catedrática na Universidade de Coimbra que fez o doutoramento em  Psicologia.

Todos os dias venho um bocadinho até  às Farmácias, gosto de falar com os clientes e elas também gostam de falar comigo.

Também tive Postos de Farmácia em Santiago de Cassurrães, Chãs de Tavares, Freixiosa e ainda tenho em Abrunhosa-a-Veha

 

N.B.- Mantém a atividade política?

Dr. L.A - Atividade política ativa não. Mas gosto de acompanhar a política e dar a minha opinião.

Estive como muitos se lembram, na Câmara como Presidente  da  1ª Comissão Administrativa  pelo PS, depois do 25 de Abril. Foi uma eleição feita pelas forças armadas. As pessoas reuniam-se e os votos eram feitos com o braço no ar.

Ocupei o lugar durante 1 ano com o Dr. Diamantino Furtado, Paulo Lopes Martins, Manuel Cardoso Ramos e o Manuel Azevedo. Isto até haver eleições democráticas. Depois estive 4 anos como Vereador, quando ganhou o Dr. Ramiro do Couto e depois ainda fiz parte da Assembleia Municipal.

 A par da farmácia ocupei e ainda hoje ocupo alguns cargos em diversas instituições em Mangualde. Estive nos  BVM, Grupo Desportivo , Adega Coperativa, Fruteira,  etc.

Hoje ainda estou ligado à Coape, Caixa de Crédito Agrícola e voltei também ao Desportivo como vogal.

 

N.B.- Qual a sua opinião sobre a gestão política que se tem feito e que se está a fazer?

Dr. L.A.- Quanto à gestão política que se está a fazer gestão  ainda é um pouco cedo para dar uma opinião, embora a situação não  seja fácil de resolver. Vamos ver se o povo vai concordar com todas as medidas. Isto  até pode dar uma guerra civil.

As medidas que estão a ser tomadas, são complicadas e difíceis, mas acho que devem ser tomadas para bem de todos, para que os problemas se resolvam e a situação do país melhore. Se não, onde vamos parar?

O anterior Governo de  Sócrates  fez muitas coisas sem haver dinheiro e eu sou  da opinião  que, antes de  se fazer as obras, é preciso saber de onde vem o dinheiro.

Eu, nas minhas obras pessoais, só as faço quando sei que as posso pagar e, no governo, penso que também deveria ser assim.

Claro que as melhorias vem para o povo e, quando se habituam e depois lhe tira tudo,  e  muito complicado. Na minha opinião estávamos a viver um bocadinho acima das nossas possibilidades, as pessoas endividaram-se e agora não conseguem cumprir os seus compromissos .

 

 

N.B.- Estamos atravessar um período de crise em quase todos os sectores.

Estando o Sr. Dr. ligado ao setor farmacêutico também está a sentir esta crise?

É uma profissão com futuro para os jovens? 

Dr. L.A.- Bem, há trinta anos atrás a farmácia viveu com possibilidades de singrar. Mas agora isto está mal em todas as áreas.

Não há empregos e a única saída  que vejo ainda com alguma perspetiva é a de médico, ainda se vão recrutar médicos estrangeiros.

Antigamente os nossos antepassados tinham que emigrar e é o que já está acontecer.

Como tomos sabemos todos os dias fecham fábricas e lojas de pequeno comércio  por todo o país e aqui em Mangualde também está acontecer.

Há pessoas que dizem que na farmácia não há crise, há na mesma. Já temos pessoas  a levarem só alguns dos medicamentos, outros pedem para pagarem quando receberem as suas reformas. Faz-me lembrar quando vim para Mangualde que as pessoas vinham perguntar primeiro em quanto ficava a receita e, por vezes, iam a dois médicos e depois vinham buscar a receita que custava menos.

Muitos pedem-nos para pagarem no final do mês. E também há quem se desfaça de alguns bens para conseguir pagar a sua receita. 

 

 

N.B.- Qual a sua opinião sobre a localização da Feira dos Santos ?

Dr. L.A.- Para as farmácias a Feira dos Santos tem pouco significado, porque nesse dias as pessoas nem estão doentes. Vem para comer as febras e as castanhas e para se divertirem um bocado.

No primeiro ano que instalei a farmácia cá em Mangualde, pedi a um colega de Viseu que me dispensasse um empregado para me vir ajudar, mas depois de almoço disse-lhe que podia ir embora. Nesse dia entra um ou outro a pedir um comprimido para as dores ou a desinfetar algum arranhão que fez na feira ou a pedirem que lhe guarde alguma compra que fez na feira.

E penso que para o comércio em geral  também não vai trazer grades benefícios, embora eu ache que a feira dentro da cidade é mais bonita.  O centro é a sala de visitas.

Embora,  quando se realizou  aqui a feira, havia o problema de os Feirantes se colocarem quase em cima das montras dos outros; mas este ano parece que isso não vai acontecer. 

 

 
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Jornal - Entrevista

50 Anos

              de Vida Pastoral nas Paróquias

O Sr. Padre Celestino Correia Fernandes celebrou,  no dia 17 de Julho, 50 anos de sacerdócio.

Notícias da Beira entrevistou-o.

N.B. – Quais as principais apostas: espiritual, familiar, cultural, social?

Quais os passos mais positivos que recorda e que o marcaram pessoalmente bem como as paróquias?

Padre Celestino - O sacerdote tem um campo de actividade muito variado e tem de estar atento a todos os setores da vida das paróquias que lhe estão confiadas. Penso que tem de ter especial preocupação com as crianças, com os jovens, com as famílias e com os doentes e idosos. Alguma coisa fui fazendo ao longo destes anos com a ajuda de Deus.

Mereceu especial preocupação o sacramento da confissão, que é fundamental para a vida cristã duma paróquia e de cada fiel. Tem havido confissões com sacerdotes de fora todos os meses ao longo destes anos, seguindo o costume deixado pelo meu antecessor.

Através de livros e sobretudo do jornal Família Paroquial vai-se ajudando muita gente na sua cultura religiosa e na correcta visão do mundo. Alguns cursos na paróquia, os Cursos de Cristandade e os Convívios Fraternos fizeram muito bem.

No campo da assistência social formou-se o Centro Paroquial com as suas diversas valências. Tem ajudado a viver a caridade cristã por parte da paróquia.

 

N.B.-Após tão longa experiência como comenta esta questão:

A Paróquia faz o Padre ou o Padre é que faz a Paróquia?

Pe. Celestino - A paróquia tem de ajudar os sacerdotes rezando e colaborando generosamente com eles. Mas o sacerdote, como pastor em nome de Cristo, tem a missão de conduzir o rebanho que lhe foi confiado com a sua palavra, com o exemplo, com a amizade por todos e com a sua oração. E, apoiado na graça de graça de Deus, vai transformando as paróquias para serem verdadeiras comunidades de fé. É pena que  não sejamos tão santos como o humilde Cura d’Ars.

 

N.B.- Que beneficia mais a ação Pastoral de um Padre:

A estadia limitada ou prolongada nas Paróquias?

Pe. Celestino - Depende muito das circunstâncias e do zelo dos sacerdotes. Às vezes vai-se ficando porque se fazem obras; depois ficam dívidas e não candidatos àqueles lugares. Assim me aconteceu ao longo destes anos.

 

N.B.- Pode pronunciar-se sobre a vida cristã local desde quando começou até aos tempos de hoje?

Se pudesse, optaria viver então ou agora?

Pe. Celestino - Cada um tem de viver no tempo presente, sem fantasias e sonhos quiméricos mas aproveitando os meios e sabendo contar com a graça divina. Todos os tempos são bons e são maus. Temos de trabalhar com optimismo sobrenatural.

Nas paróquias tem ajudado muito a devoção a Nossa Senhora, em concreto Nossa Senhora de Cervães. E também a devoção a S. José, o protector da Santa Igreja e grande amigo lá no Céu.

 

N.B.- A Igreja precisa de Padres e Leigos para os tempos de hoje

Pode comentar?

Pe. Celestino - Sempre precisou de padres e de leigos, porque é formada por uns e outros e não pode haver pessoas inúteis na Igreja. Até as crianças e velhinhos podem ajudar e devem ajudar. Hoje é mais urgente este trabalho dos leigos pela falta de sacerdotes.

O trabalho fundamental dos leigos é aquele que não se vê: nas famílias, na educação dos filhos, na relação com os colegas de trabalho e os amigos, na vida social e política e na evangelização da cultura..

E naturalmente também nos trabalhos próprios das paróquias. Dou graças a Deus pela colaboração generosa de muitos paroquianos.

 

N.B.- Para que uma Paróquia mais facilmente gere sacerdotes a ação do Padre também é determinante (se assim se pode dizer)?

Pe. Celestino - São precisos mais sacerdotes e é urgente despertar vocações. Isso depende das famílias, do exemplo e oração dos fiéis em geral, e também do empenho dos sacerdotes .

O ano assado tivemos a alegria de um novo sacerdote em Santiago de Cassurrães, ao fim de cem anos sem ordenações damos graças a Deus.

 

N.B.- Que mensagem deixa aos novos sacerdotes?

Pe. Celestino - Que lutem por ser santos, como Jesus deseja. É o segredo da eficácia. O exemplo do Cura d´Ars continua a ser uma lição muito atual.

 

N.B. - Que mensagem deixa às suas paróquias?

Pe. Celestino - Ao celebrar os cinquenta anos de sacerdócio, pedi-lhes uma prenda: continuarem a melhorar na sua vida cristã, na fé e no amor de Deus, seguindo os conselhos que o pároco em nome de Jesus lhes vai dando. É essa a alegria das mães, ao verem que os filhos se portam muito bem.

 

 
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